Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de março de 2012

A Bíblia nos promete uma vida de prazeres?

A Bíblia Nos Promete Uma Vida de Prazeres?

Quando Saulo tornou-se Paulo, uma voz divina anunciou: “Vou lhe mostrar como você poderá gozar muito melhor a sua vida!” Será que é o que realmente está escrito na Bíblia? Pelo contrário, lemos: “Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9.16). Foi o que Deus disse a Ananias acerca de Paulo. Portanto, foi quase o oposto do que muitos entendem hoje por vida cristã.

Prazer e sofrimento

O Novo Testamento está permeado pelo tom do sofrimento, e é justamente isso que não agrada à nossa velha natureza, que adora cuidar bem de sua carne e de gozar a vida. Paulo e Barnabé, por exemplo, exortaram os discípulos “a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22).
Paulo, o apóstolo dos gentios, lembra a Timóteo, seu discípulo mais fiel, que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12).
Isso não soa como uma vida de prazeres e de riqueza abundante, como tanto se apregoa hoje em dia. Temos inclusive uma carta inteira no Novo Testamento que se ocupa com o tema do sofrimento: a Primeira Epístola de Pedro. Ele explica que a fé é provada e aprovada através do sofrimento (1 Pe 1.6-7). Portanto, em completa oposição à sociedade caracterizada pelo entretenimento e ao cristianismo que confunde discipulado com diversão e festa. Aos crentes da Ásia Menor, Cristo é apresentado como exemplo naquilo que sofreu, para que sigamos os Seus passos (1 Pe 2.21).
Será que não acabamos literalmente criando um outro evangelho, um evangelho de bem-estar, que afaga o ego e o velho Adão?

Jesus e o sofrimento

A Carta aos Hebreus menciona, inclusive, que nosso Senhor, “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8). Se isso foi válido para o Filho de Deus, quanto mais vale para nós! O servo, como se sabe, não está acima de seu Mestre.
Pedro diz ainda mais: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus” (1 Pe 4.1-2).

Tema recorrente

Sofrimento e não prazer ou bênçãos materiais é o tema recorrente nas cartas dos apóstolos. Paulo chega a dizer: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29). De forma semelhante, Pedro admoesta em sua carta: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando” (1 Pe 4.12-13).
A fé é provada e aprovada através do sofrimento.
Será que isso ainda é proclamado em nossa sociedade de consumo, que já chega a “celebrar” o discipulado e a vida cristã? Será que frases tão negativas não deveriam ser sumariamente riscadas da Bíblia? Não acabamos literalmente criando um outro evangelho, um evangelho de bem-estar, que afaga o ego e o velho Adão?

Sem rodeios

Aos coríntios, que igualmente estavam em perigo de exercer poder e “domínio”, Paulo escreve sem rodeios: “Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco. Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (1 Co 4.8-13).
Isso soa como prazer, sucesso, conforto e prosperidade? É quase o oposto de tudo aquilo que hoje nos é apresentado simuladamente pelos “evangelistas da prosperidade” como se fosse o Evangelho de Cristo.

Negativo e derrotista?

Para que minhas palavras não sejam interpretadas como uma defesa do sofrimento e uma declaração de derrotismo cristão, devo mencionar que Deus deseja que “vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Tm 2.2). Na mesma Carta a Timóteo está escrito: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (1 Tm 6.17).
O Senhor nos promete, sim, uma vida abundante (Jo 10.10), porque para os cristãos as questões primárias da culpa e do sentido da vida já estão resolvidas.
Somos gratos por toda a paz e pelo bem-estar que a graça de Deus tem nos concedido no mundo ocidental por um tempo admiravelmente longo. Mas fazer dessa realidade um evangelho é, brandamente falando, contradizer o espírito do Novo Testamento. O Senhor nos promete, sim, uma vida abundante (Jo 10.10), porque para os cristãos as questões primárias da culpa e do sentido da vida já estão resolvidas. Em obediência a Deus, o discípulo de Jesus pode ter, sim, muita alegria, alegria plena (1 Jo 1.4). Mas essa alegria é em primeiro lugar espiritual e não está, necessariamente, refletida no nível material.

Movido pela alegria

Quando Paulo ditou sua carta “movida pela alegria” aos filipenses exortando os crentes a “alegrar-se sempre” (Fp 4.4), ele próprio encontrava-se algemado na prisão.

Discutindo com os super-apóstolos

Em suas discussões com pregadores “poderosos” e triunfalistas, que Paulo chama ironicamente de “sábios”, “fortes”, “nobres” (1 Co 4.10), ele se gloria de sua própria fraqueza (2 Co 12.9), especialmente porque esses falsos mestres se vangloriavam de seu grande poder e de sua própria autoridade. Eles também passavam a idéia de que apenas através deles o mundo daquela época fora alcançado com um evangelho “poderoso” e “pleno” (2 Co 10.12-16). Paulo contrapõe a esses falsos apóstolos e obreiros fraudulentos, como também os chama, a extensa lista de seus próprios sofrimentos (2 Co 11.22-23), provando que ele era um apóstolo legítimo.
Isso ainda é pregado atualmente? Isso ainda é proclamado nos programas cristãos de televisão? Os apóstolos residiam em belas casas e lá ditavam suas cartas? A visão mais profunda dos mistérios do tempo da graça é fornecida por Paulo nas cartas aos efésios e aos colossenses, que ele escreveu quando se encontrava encarcerado. Em seu discurso de despedida em Mileto ele disse: “o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações” (At 20.23). Isso não soa como a expectativa por eventos especialmente prazerosos.

Vida de prazeres?

Humildade, lágrimas, provações, ciladas, cadeias e tribulações, de fato, uma vida “de prazeres”! Mesmo quando Paulo suplicou por uma vida física mais ou menos normal, sem o espinho na carne, seu pedido não foi atendido. Será que ele não deveria ter enfrentado essa limitação física com visualização ou pensamento positivo? Esse homem de Deus podia dizer de si mesmo: “...pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Co 6.10). Devemos temer, com justiça, que muitos dos pregadores de sucesso de nossos dias literalmente invertem a ordem das coisas: “ricos, mas empobrecendo a muitos”.
Todo esse evangelho da prosperidade e do bem-estar é um cumprimento de 2 Timóteo 4.3, onde está escrito que os homens dos últimos dias cortejarão mestres por cujas palavras sentem coceira nos ouvidos, mestres que os agradem. Muitos gostariam de ouvir que Deus quer nos fazer grandes, ricos, saudáveis e poderosos. Essa era a mensagem dos amigos de Jó, que não conseguiam entender que Jó enfrentava tanto sofrimento por se encontrar dentro da vontade de Deus.
Paulo explicou: que os “crentes” dos últimos dias não apenas serão “amantes de si mesmos” (2 Tm 3.2, Ed. Revista e Corrigida) mas “mais amigos dos prazeres (tradução literal da palavra grega “philedonos”) que amigos de Deus” (2 Tm 3.4).

Uma geração hedonista

Esta é a mensagem para uma geração hedonista, como Paulo explicou: que os “crentes” dos últimos dias não apenas serão “amantes de si mesmos” (2 Tm 3.2, Ed. Revista e Corrigida) mas “mais amigos dos prazeres (tradução literal da palavra grega “philedonos”) que amigos de Deus” (2 Tm 3.4).
Será que Jesus também ofereceu uma falsa fé? Ele disse à igreja de Esmirna: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o Diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

O oposto do triunfalismo

Isso é totalmente oposto ao atual triunfalismo do evangelho da prosperidade. É monstruoso o que é tolerado e propagado na cristandade contemporânea. Esta geração ocidental literalmente criou um evangelho resumido e derivado de seu hedonismo, de sua amoldagem ao espírito da época, de sua loucura por saúde, bem-estar e entretenimento, de seu desejo por prazeres carnais e de sua auto-estima.

Pobre, miserável, cego e nu

Talvez a melhor caracterização da situação espiritual desses pregadores e adeptos do evangelho da prosperidade e do bem-estar seja a declaração de Jesus Cristo a uma igreja próspera e abastada, mal acostumada ao sucesso, a igreja de Laodicéia: “pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3.17). (Alexander Seibel - http://www.chamada.com.br)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, novembro de 2010.

Revista mensal que trata de vida cristã, defesa da fé, profecias, acontecimentos mundiais e muito mais. Veja como a Bíblia descreveu no passado o mundo em que vivemos hoje, e o de amanhã também. Assine aqui »

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Quem dera ter um peixe pra Gezui$


Conta-se que em um determinado culto um pastor de uma certa comunidade, ao exortar a igreja para a contribuição de dízimos e ofertas, fez um dos papéis mais ridículos que possa existir. Ao relacionar o dinheiro como um investimento pelo qual o sujeito recebe uma recompensa de Deus de acordo com o valor monetário “investido”, o tal pastor partiu para o ataque e disse: “- Queridos, antes de receber o que vocês tem para oferecer pra Deus, queria que algumas pessoas me trouxessem todos os tipos de notas em Real aqui na frente para lhes dar uma demonstração de como ser verdadeiramente abençoado nas finanças”. Então ele começou a sua exposição a fim de levantar uma oferta bem obesa:
“Gente...
Vejam que a Nota de 2 Reais é representada por uma tartaruga – sabe o que isso significa? Ela só serve para uma oferta medíocre! Você quer uma benção que vem a passos de tartaruga? Uma benção que vem lentamente, quase parando...?(risos)!
A Nota de 5 Reais é representada por uma garça  – Sabe aonde as garças vivem? Elas adoram o mangue! Irmão, é na lama que você quer viver?!

Já a Nota de 10 Reais, ela possui uma arara – gente, arara vive voando! Crente não voa baixo como arara, mas alto como Águia! Essa nota não serve pra Deus!

A Nota de 20 Reais tem um mico – Você vai pagar um “mico” ofertando só isso?

Já a Nota de 50 Reais tem uma onça – Irmãos, a onça até que é interessante, mas ela está em extinção! Portanto a tua benção não está em extinção, creia!! Olha, fique sabendo...nem “onça” serve pra Deus!

Já a Nota de 100 Reais, queridos irmãos, tem um peixe – Sabe o que o peixe simboliza? O cristianismo! Se você quer ser abençoado, não ofereça tartaruga, garça, arara, mico ou onça, mas dê ao Senhor o que ele merece: Peixe!”

Boa parte igreja da igreja, após essa anátema alegoria, bradou com súbitos aleluias!!


Fonte: Arte de chocar

sábado, 24 de setembro de 2011

Tesouro na Terra, Tesouro no Céu (ou Teologia da Miséria)


G. Montenegro.
Por que o erro da 'Teologia da Prosperidade' é tão persistente, e por que vemos tal erro ser diariamente pregado nos púlpitos de igrejas que abertamente o condenam? Estou convencido de que o motivo é completamente estrutural: a crítica que atualmente se faz à teologia da prosperidade nos círculos evangélicos apenas remove alguns galhos, mas permite que a má árvore continue a viver. Não remove a raiz.

E por que isso acontece? Porque o homem contemporâneo foi ensinado a temer a pobreza. Foi ensinado a planejar. Foi ensinado a crer e buscar o seu próprio sucesso. Em outras palavras: foi ensinado a aceitar a ganância e a ambição. Na realidade, foi ensinado tudo aquilo que o homem da idade antiga também era ensinado. Erra quem pensa que a ganância e a avareza são consequências do 'capitalismo'. São consequências do eu. Onde há o eu, há ganância e avareza, qualquer que seja o sistema político, o modelo econômico ou momento histórico.

Mas o problema é ainda mais profundo. Quando se critica a teologia da prosperidade, o que se coloca atualmente não é o seu extremo (0 que alguns chamam de “teologia da miséria”), isto é, a teologia da prosperidade não é substituída por nada; em seu lugar aparece apenas sua negação. Ou seja: em vez de um antídoto enérgico para esse erro, crê-se que um meio termo pálido resolva o problema. Mas não resolve. Nossos púlpitos e o comportamento de nosso cristãos testemunha isso.

Herdamos dos gregos essa cultura de equilíbrio: para o grego (e aqui me refiro a Aristóteles) a virtude consiste na correta medida entre dois extremos. Definitivamente não sou grego! Não acredito em meios termos, em equilíbrio. E, nessa questão, não acredito por motivos estritamente bíblicos.

Um dos pontos que chama mais atenção à pregação de Jesus é aquilo que ele fala sobre renúncia, sobre deixar sua própria família, seus bens e sua casa para o seguir. Nas Escrituras, Jesus chega a declarar: Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo (Lucas 14:33).


E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia:

Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos.
Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.
Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.

Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.
Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome.
Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis.
Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.
(Lucas 6:20-26)

Embora haja uma tendência no Evangelho de Mateus em desliteralizar tais declarações (pobres de espírito, fome e sede de justiça; Mateus 5:3,6), no texto de Lucas a oposição direta (pobres, ricos; tendes fome, estais fartos; chorais, rides; vos odiarem, vos disserem bem) entre os três macarismos e os três ais demonstra a literalidade do texto.

De qualquer maneira, mesmo que o texto em si não seja tomado por literal, a forma como aparecem em Mateus 5 ainda é suficientemente forte para uma crítica à riqueza em si: o pobre de espírito (οἱ πτωχοὶ τῷ πνεύματι; os pobres em espírito) é aquele que carrega a pobreza em seu espírito, que vive como se fosse pobre, que não tem ambição. Não se trata de uma condenação da pobreza em si mesma, mas tendo em vista o ínterim em que a ética neotestamentária se coloca: o ínterim entre o ministério de Jesus e a irrupção do reino de Deus, que radicaliza todas as exigências divinas.

Mas há textos em que é impossível negar tal literalidade. Dois muito especiais são:

Porque, vede, irmãos, a vossa vocação [κλῆσις], que
não são muitos os sábios segundo a carne,
nem muitos os poderosos,
nem muitos os nobres [εὐγενής = fidalgo, bem nascido].
Mas Deus escolheu [ἐκλέγομαι] as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias;
e Deus escolheu [ἐκλέγομαι] as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;
e Deus escolheu [ἐκλέγομαι] as coisas vis [ἀγενής = mal nascido] deste mundo, e as desprezíveis [ἐξουθενημένα = desprezadas], e as que não são, para aniquilar as que são;
(1 Coríntios 1:26-28)

Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu [ἐκλέγομαι] Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?
(Tiago 2:5)


A conexão entre Tiago 2:5 e Lucas 6:20 é forte. Em ambos os textos a eleição divina passa pela fraqueza (e não pela força) dos eleitos. Deus elegeu aos mais fracos. Com que propósito? Para que nenhuma carne se glorie diante dele (1 Coríntios 1:29). Cf. Lucas 12:33.

Entretanto, creio que a palavra mais forte a esse respeito seja “Não ajunteis tesouros na terra” (Mateus 6:19). O que é um rico, por definição? Alguém que ajuntou tesouros na terra. Pelo contrário, nos exortam as Escrituras a estar satisfeitos tendo apenas o que comer e com o que se vestir (1 Timóteo 6:8), e, muito mais, a confiar até que tais coisas (nosso pão de cada dia e nossas roupas) provenham de Deus (Mateus 6:25-33). Trata-se exatamente daquilo que o povo de Israel teve quando peregrinou por quarenta anos no deserto: alimento e vestimenta (Deuteronômio 8:3,4).

Na realidade, aquilo que 1 Timóteo 6:8 exige é também aquilo que se pede no Pai Nosso: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje (Mateus 6:11). É pão que se pede, uma refeição tão básica que ao longo das Escrituras é quase sinônima de “comida” (e.g. Gênesis 3:19; 41:54).

Tal mensagem de Jesus (a qual, como já dito, é uma mensagem de ínterim, não podendo ser transporta a qualquer outra época, a exemplo do Antigo Testamento) muitas vezes é suprimida na homilética contemporânea por textos que se lhe contrariam. Por exemplo: “Nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão” (Salmos 37:25). Há, porém, um importante fator interpretativo em jogo. Textos como esse geralmente se prestam, na literatura sapiencial, ao louvor a Deus por algo que é experienciado, e não transmitir uma doutrina. Pelo contrário, encontramos textos em que se diz que “o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento” (Eclesiastes 9:2). Ou seja: as mesmas aflições podem ser experimentadas tanto pelo justo quanto pelo injusto: o justo pode sim ter que mendigar o pão, ao passo de que o injusto vive na bonança (e.g. Eclesiastes 7:15).

Tampouco pode salvar a teologia da prosperidade o exemplo de crente do passado que foram abençoados por Deus com riquezas e prosperidade (como Abraão, ou Jó). As exigências de Jesus se referem ao reino de Deus e ao Novo Testamento. Ao povo de Israel foram feitas promessas que diziam respeito à terra de Israel, terra que mana leite e mel, terra de bem aventurança. Entretanto, a promessa de Deus ao seu povo no Novo Testamento vai além, de modo a ser necessário rejeitar as coisas desse mundo (inclusive a riqueza) pelas coisas do próximo. Certamente a prosperidade vivenciada por tais heróis da fé é grande bênção, mas maior bênção do que ter abundantes riquezas é ser capaz de viver pela graça de Deus com muito pouco e ser igualmente grato.

Mas é preciso ir além e compreender a natureza do sofrimento. Nem todo sofrimento é bom. O bom sofrimento é aquele que se sofre em nome de Cristo, para ser feito conforme a sua imagem, a “comunhão dos sofrimentos” (κοινωνία παθημάτων; Filipenses 3:10). O caminho do Evangelho passa por tal comunhão dos sofrimentos, em que não só a vida espiritual de Cristo se torna nossa vida, mas também os sofrimentos de Cristo se tornam nossos sofrimentos: não há como dissociar as duas ideias, como mostra 2 Coríntios 4:10. O apóstolo vai além: a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente. O presente sofrimento não apenas será compensado pela glória futura; ele produz tal glória. Por isso podia o apóstolo se gloriar em tais sofrimentos, porque o poder de Deus 'se aperfeiçoa na fraqueza' (2 Coríntios 12:9). Cf. 1 Tessalonicenses 3:3.

Assim sendo, sofrimento não é algo opcional ou acidental. Não é apenas uma consequência de viver no mundo. É, muito mais, parte do discipulado. Ter comunhão com Cristo passa necessariamente por ter comunhão com os seus sofrimentos, sofrer como ele sofreu, ser igual a ele em tudo: “por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus(Atos 14:22). A tradução de δέω como “importar” talvez enfraqueça o significado original do termo. Esse verbo significa “tornar obrigatório” ou “prender”. Para entrar no reino de Deus, é absolutamente necessário passar por muitas tribulações.


cristianismopuro.blogspot.com

terça-feira, 20 de setembro de 2011

John Piper: Aos Pregadores da Prosperidade

Por John Piper


Uma mudança fundamental aconteceu com a vinda de Cristo ao mundo. Até aquele tempo, Deus focou sua obra redentora em Israel com obras eventuais entre as nações. Paulo disse: “Nas gerações passadas, [Deus] permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos” (Atos 14:16). Ele os chamou de “tempos da ignorância.”
“Não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30).
Agora o foco passou de Israel para as nações. Jesus disse: “O reino de Deus vos será tirado [Israel] e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos [seguidores do Messias]” (Mateus 21:43). Um endurecimento veio sobre Israel até que o número total das nações entrasse (Romanos 11:25).
Uma das principais diferenças entre essas duas épocas é que, no Antigo Testamento, Deus glorificou amplamente a si mesmo ao abençoar Israel, de modo que as nações pudessem ver e saber que o Senhor é Deus.
“Faça ele [o Senhor] justiça ao seu [...] povo de Israel, segundo cada dia o exigir, para que todos os povos da terra saibam que o SENHOR é Deus e que não há outro” (1Reis 8:59-60).


Réplica do Templo de Salomao, idealizada pelo bispo Macedo, da Igreja Universal, estimado em 350 milhoes de dólares 

Israel não foi enviada como uma “Grande Comissão” para ajuntar as nações; pelo contrário, ela foi glorificada para que as nações vissem sua grandeza e viessem a ela. Então, quando Salomão construiu o templo do Senhor, foi espetacularmente abundante em revestimentos de ouro.
O Santo dos Santos tinha vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura. E foi coberto com ouro puro. Ele também cobriu de ouro um altar de cedro. E Salomão revestiu o interior da casa com ouro puro, e fez passar correntes de ouro frente ao Santo dos Santos, o qual também cobriu de ouro. E cobriu de ouro toda a casa, inteiramente. Também cobriu de ouro todo o altar que estava diante do Santo dos Santos. (1Reis 6:20-22)

E quando ele mobiliou o templo, o ouro mais uma vez se tornou igualmente abundante.
Então Salomão fez todos os utensílios que estavam na casa do Senhor: o altar de ouro, a mesa de ouro para os pães da proposição, os castiçais de ouro finíssimo, cinco à direita e cinco no lado sul e cinco no norte diante do Santo dos Santos; as flores, as lâmpadas e as linguetas, também de ouro; as taças, espevitadeiras, bacias, recipientes para incenso e braseiros, de ouro finíssimo; as dobradiças para as portas da casa interior e do Santo dos Santos, também de ouro. (1Reis 7:48-50)
Salomão levou sete anos para construir a casa do Senhor. E então levou treze anos para construir sua própria casa (1Reis 6:38 e 7:1). Ela também era abundante em ouro e pedras de valor (1Reis 7:10).
Então, quando tudo estava construído, o nível de sua opulência é visto em 1Reis 10, quando a rainha de Sabá, representando as nações gentias, vai ver a glória da casa de Deus e de Salomão. Quando ela viu, “ficou como fora de si” (1Reis 10:5). Ela disse: “Bendito seja o SENHOR, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no trono de Israel; é porque o SENHOR ama a Israel para sempre, que te constituiu rei” (1Reis 10:9).

"O padrão no Antigo Testamento é uma religião 'venha-ver' (...) O Novo Testamento apresenta uma religião 'vá-anunciar'" (John Piper)

Em outras palavras, o padrão no Antigo Testamento é uma religião venha-ver. Há um centro geográfico do povo de Deus. Há um templo físico, um rei terreno, um regime político, uma identidade étnica, um exército para lutar as batalhas terrenas de Deus, e uma equipe de sacerdotes para fazer sacrifícios animais pelos pecados.

Com a vinda de Cristo tudo isso mudou. Não há centro geográfico para o Cristianismo (João 4:20-24); Jesus substituiu o templo, os sacerdotes e os sacrifícios (João 2:19; Hebreus 9:25-26); não há regime político Cristão porque o reino de Cristo não é deste mundo (João 18:36); e nós não lutamos batalhas terrenas com carruagens e cavalos ou bombas e balas, mas sim batalhas espirituais com a palavra e o Espírito (Efésios 6:12-18; 2Coríntios 10:3-5).
Tudo isso sustenta a grande mudança na missão. O Novo Testamento não apresenta uma religião venha-ver, mas uma religião vá-anunciar. “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28:18-20).
As implicações disso são enormes para a forma que vivemos e a forma que pensamos a respeito de dinheiro e estilo de vida. Uma das implicações principais é que nós somos “peregrinos e forasteiros” (1Pedro 2:11) na terra. Nós não usamos este mundo como se ele fosse nosso lar de origem. “A nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).
Isso leva a um estilo de vida em pé de guerra. Isso significa que nós não acumulamos riquezas para mostrar ao mundo o quão rico nosso Deus pode nos fazer. Nós trabalhamos duro e buscamos uma austeridade em pé de guerra pela causa de espalhar o evangelho até os confins da terra. Nós maximizamos o esforço de guerra, não os confortos de casa. Nós criamos nossos filhos com a visão de ajudá-los a abraçar o sofrimento que irá custar para finalizar a missão.


Vergonha: Evangélicos brasileiros gastam mais com Coca-cola do que com missões

Então, se um pregador da prosperidade me questiona sobre as promessas de riqueza para pessoas fiéis no Antigo Testamento, minha resposta é: Leia seu Novo Testamento com cuidado e veja se você encontra a mesma ênfase. Você não irá encontrar. E a razão é que as coisas mudaram dramaticamente.
“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Timóteo 6:7-8). Por quê? Porque o chamado a Cristo é um chamado para participar de seus sofrimentos “como um bom soldado de Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:3). A ênfase do Novo Testamento não são as riquezas que nos atraem para o pecado, mas o sacrifício que nos resgata dele.
Uma confirmação providencial de que Deus planejou esta distinção entre uma orientação venha-ver no Antigo Testamento e uma orientação vá-anunciar no Novo Testamento, é a diferença entre o idioma do Antigo Testamento e o idioma do Novo. Hebraico, o idioma do Antigo Testamento, não era compartilhado por nenhum outro povo no mundo antigo. Era unicamente de Israel. Isto é um contraste surpreendente com o Grego, o idioma do Novo Testamento, que era o idioma de comércio do mundo romano. Então, os próprios idiomas do Antigo e do Novo Testamentos sinalizam a diferença de missões. O hebraico não era apropriado para missões no mundo antigo. O grego era perfeitamente apropriado para missões no mundo romano.

***

Este post é parte de uma série de dez artigos do John Piper publicados no blog Voltemos ao Evangelho. Via: pulpitocristao.com

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Malafaia pediu, a gente posta: “blogueiros são filhos do diabo”, diz o pastor

 

Por Vera Siqueira

O Pr. Silas Malafaia, no programa da semana passada (pois nessa semana ele está reprisando pela enésima vez a profetada gospel do Morris Cerullo), incitou os sites e blogs apologéticos, que criticam sua famigerada Teologia da Prosperidade, a postar o vídeo onde ele chama os blogueiros de “filhos do diabo”.
Pois bem, Silas, abaixo está o vídeo. Apesar de tristes por um pastor se deixar comprar pelos ensinos heréticos da teologia da prosperidade, que nada têm a ver com o Evangelho puro e simples de Jesus Cristo, ficamos felizes por saber que somos reconhecidos como diabos (adversários) dos profetas de Mamom, dos fariseus pós-modernos, dos lobos que ensinam as ovelhas a entesourarem na terra, a colocarem seus corações nas bênçãos materiais, ao invés de buscarem unicamente, e sem maiores interesses, a Jesus.
A Deus (ao verdadeiro!) seja toda a honra e toda a glória para sempre!



***
Vera Siqueira edita o blog Estrangeira no Mundo e é colunista do Púlpito Cristão

Comentário de Leonardo Gonçalves

Silas Malafaia vendeu a alma a Mamom: Aquele que foi um dos maiores rebatedores desta heresia, hoje anda de mãos dadas com Morris Cerrulo, Mike Murdok, Myles Munroe e outros mercenários da fé. Mas, será que isso é tão ruim assim? Será que essa tal teologia da prosperidade é mesmo tão aberrante como a gente diz? Creio que sim, pelas seguintes razoes:
Em primeiro lugar, a teologia da prosperidade esvazia Deus da sua glória onipotente, indo na contra-mão da sua soberania. “A soberania de Deus é a doutrina que afirma que Deus é supremo, tanto em governo quanto em autoridade sobre todas as coisas. Nos círculos dos “ensinos da fé” [i.e. Movivento da Confissão Positiva / Teologia da Prosperidade], ela não é levada muito a sério. Verbos como exigir, decretar, determinar, reivindicar freqüentemente substituem os verbos pedir, rogar, suplicar etc.” (ROMEIRO, Paulo: Super Crentes)
A teologia da prosperidade também é execrável porque transforma o culto a Deus em uma reunião antropocêntrica, isto é, o centro do culto não é Deus e sua glória, nem mesmo Cristo e seu poder redentor, mas o homem e suas necessidades. É um culto totalmente humano, onde o fiel é o centro das atençoes e todos os movimentos do universo devem satisfazer seu ego voraz. Ora, isso só já seria suficiente para rejeitar essa teologia apóstata.
Mas a teologia da prosperidade também parte de um pressuposto demoniaco. Ora, basta observar Mateus capítulo 4 para constatar que quem oferece o mundo em troca de adoração é o diabo, e não Deus. Por isso, não hesitamos em dizer que este evangelho moderno pregado pelo senhor Malafaia e pelos demais arautos da prosperidade, serve aos propósitos de Satanás, e não de Deus. É teologia diabólica, fabricada no coração da antiga serpente para envergonhar, confundir e condenar.
A teologia da prosperidade é herética porque esconde a cruz. Qual foi a última vez que você ouviu um desses televangelistas pregarem sobre a cruz, necessidade de arrependimento, perdão e vida eterna? Na verdade, os pregoeiros da prosperidade esconderam a cruz e anteciparam a coroa! Prometem a glória e o reino na terra, e nem de longe tratam com o problema do pecado que aflige a alma humana. É um evangelho de glorias falsas, que vende a ilusão de que os problemas desaparecerão assim que a oferta for depositada no altar.
Finalmente, a teologia da prosperidade é um capitalismo disfarçado de espiritualidade. Um consumismo travestido de culto religioso onde Mamom, divindade do panteão caldeu, é quem dita as regras do jogo. Dá muita tristeza ver a igreja, que devia promover equilibrio social através de uma missão integral, espoliar o povo sob promessas absurdas de uma prosperidade falsa que só enriquece seus arautos.
Cada vez que leio a narrativa de Atos dos Apóstolos, fico ainda mais revoltado com o que os modernos pastores estão fazendo com o cristianismo. Nos tempos do cristianismo primitivo, ser pastor significava tornar-se alvo. Eles eram os primeiros a morrer em tempos de crise e perseguição. Hoje é diferente: ser pastor significa ter status. E os crentes? Estes eram humilhados, aprisionados e açoitados, lançados às feras; outros eram queimados vivos na ponta de uma estaca para iluminar os jardins do imperador. Vejo isso e me pergunto onde estava a prosperidade desses homens? Onde está a promessa de riqueza na vida deles? Será que eles não eram crentes? Sim, o eram. E em maior proporção que muitos de nós, que em meio à comodidade e ao luxo nos esquecemos de incluir Deus na nossa agenda diária.
E não é só na igreja primitiva que encontramos esses exemplos não: e o que dizer dos crentes de aldeias paupérrimas da África, que padecem das coisas mais necessárias e comuns? Crentes que fazem uma só refeição por dia e ainda agradecem a Deus pelo pouco que têm. Será que eles são amaldiçoados? Será que a promessa de prosperidade não se estende a eles? Quanta hipocrisia!
Quando ouço falar de pastores presidentes que vivem nababescamente com o dinheiro de dízimos e ofertas, quando vejo telepastores cuja renda mensal ultrapassa a cifra dos milhoes de reais, meu coração entristece ao ver o quanto nos distanciamos daquele cristianismo bíblico, saudável, puro e simples, que não promete riquezas na terra, mas garante um tesouro no céu.
Definitivamente, não posso compactuar com esse comércio da fé. Não posso concordar com essa doutrina diabólica e anticristã que transforma o evangelho em uma empresa religiosa, onde o distintivo do crente não é o amor, mas a folha de pagamento do “fiel”. Não consigo deixar de odiar esse sistema porco, imundo, onde o nome de Jesus é usado para ludibriar, corromper e escravizar. Também não posso deixar de desmascarar esses falsos mestres, discípulos de Balaão, que por causa da paixão pelo vil metal vão além dos limites bíblicos e profetizam o que Deus não mandou.
E se por causa disso somos chamados de “diabos”, ah… que alegria isso me dá! Chamaram meu Mestre de Belzebú, o que nao dirão de mim, um pobre candidato à servo inútil, sem méritos ou obras, cuja única glória é a cruz? Ah… me chame de diabo, de demônio, de filho do inferno se quiser! Meu esconderijo é a cruz, e Cristo é quem me justifica.
“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5.10-12)
Assista à seguir o vídeo do pastor John Piper, onde ele expõe suas razões para repudiar a teologia da prosperidade:



***
Da redação Púlpito Cristão

terça-feira, 26 de julho de 2011

Lula critica versículo da Bíblia e chama de “bobagem” declaração de Jesus Cristo

A “Teologia” do Enriquecimento e Materialismo (prosperidade é bíblica, e nada tem a ver com ter dinheiro de sobra) está tomando dimensões nunca antes vistas! Os que se apaixonaram por este mundo, falam, pensam e agem como se fosse possível viver aqui eternamente. Até o Lula já aderiu a ela... Deus tenha misericórdia!
Ensina estas coisas. Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro; e, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento. Porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.” I Timóteo 6.3-11
****************************************************************************************
lula critica jesus 300x270 Lula critica versículo da Bíblia e chama de “bobagem” declaração de Jesus CristoO ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva interpretou, nesta quinta-feira, uma famosa passagem bíblica onde Jesus diz: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Em Salvador, ele disse que é “bobagem” o que o Novo Testamento apregoa sobre a promessa de que o reino dos céus é para os pobres. Ele discursou de manhã para uma plateia formada em sua maioria por pequenos agricultores.
Bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. Nós queremos o reino agora, aqui na Terra. Para nós inventaram um slogan que tudo tá no futuro. É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico ir para o céu . O rico já está no céu, aqui. Porque um cara que levanta de manhã todo o dia, come do bom e do melhor, viaja para onde quer, janta do bom e do melhor, passeia, esse já está no céu. Agora o coitado que levanta de manhã, de sol a sol, no cabo de uma enxada, não tem uma maquininha para trabalhar, tem que cavar cada covinha, colocar lá e pisar com pé, depois não tem água para irrigar, quando ele colhe não tem preço. Esse vai pro inferno — discursou Lula, para delírio das cerca de mil pessoas que lotavam o auditório de um hotel de Salvador.
O ponto alto do seu discurso de 15 minutos – que seria apenas uma rápida saudação – foi quando resolveu criticar indiretamente o versículo 25, capítulo 18, do Evangelho de Lucas, a parábola que Jesus fez sobre as dificuldades do rico alcançar o céu e a facilidade do pobre chegar lá (“Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”). Ele insistiu:
- Queremos que todo mundo vá pro céu, agora. Queremos ir pro céu vivo. Não venha pedir para a gente morrer para ir pro céu que a gente quer ficar aqui mesmo – disse.
Pouco antes de falar, recebeu de presente uma garrafa de cachaça. Como se ainda estivesse ocupando a cadeira de presidente da República, Lula fez um balanço de suas realizações.
Adaptado de O Globo e de www.juliosevero.com
***************************************************************************
Meu Rei nasceu em um estábulo (Lc. 2.12), filho de um carpinteiro (Mt 13.55), não tinha onde pousar a cabeça (Mt 8.20), não tinha dinheiro para pagar impostos (Mt 17.27), sua entrada triunfal em Jerusalém se deu no lombo de um jumento (Mt 5.21, em seguida expulsou os comerciantes da fé que estavam no templo), morreu humilhado, nu e ensanguentado numa cruz (Fp 2.8), ressuscitou ao terceiro dia e hoje está EXALTADO SOBERANAMENTE E  COM UM NOME ACIMA DE TODO O NOME (Fp 2.9-11), não aqui nesse mundo, mais no Céu, que É ETERNO!
Sr. (ex)Presidente, o senhor está muito equivocado, o mundo passa e com ele toda a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre (I Jo 2.17)!
A MINHA ESPERANÇA É O CÉU!
“Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão.” I Coríntios 15.19 (NVI)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Religião dos 10 mais ricos do mundo

Riquezas são o sinal da benção de Deus? a "diferença entre o que server e não serve" está no dinheiro?

"As vossas palavras foram agressivas para mim, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Que temos falado contra ti? Vós tendes dito: inútil é servir a Deus. Que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos exércitos? Ora pois, nós reputamos por bem-aventurados os soberbos; também os que cometem impiedade prosperam; sim, eles tentam a Deus, e escapam. Então aqueles que temiam ao Senhor falaram uns aos outros; e o Senhor atentou e ouviu, e um memorial foi escrito diante dele, para os que temiam ao Senhor, e para os que se lembravam do seu nome. E eles serão meus, diz o Senhor dos exércitos, minha possessão particular naquele dia que prepararei; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que o não serve." Ml 3.13-18

Que dia Deus preparou? Vai nos poupar doque? Do que só Deus pode poupar o homem? Porque veremos "outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não serve"?

R. Malaquias 4.5



Pessoas mais ricas de 2011


1. Carlos Slim – Mexicano
Fortuna: US$ 74 bilhões
Telmex, América Móvil, MCI, MIT, Claro, Embratel, etc.
Religião / crença: Igreja Maronita (Libanesa)


2. Bill Gates
Fortuna: US$ 56 bilhões
Microsoft, Cascade Investment, bgC3, Corbis,
Religião / crença: Agnóstico

3. Warren Buffett
Fortuna: US$ 50 bilhões
Berkshire Hathaway,
Religião / crença: Presbiteriano até a juventude, hoje Agnóstico.

4. Bernard Arnault – Francês
Fortuna: US$ 41 bilhões
LVMH, Financière Agache S.A. e Christian Dior S.A
Religião / crença: Cristão católico


5. Larry Ellison
Fortuna: US$ 39,5 bilhões
Oracle Corporation
Religião / crença: Não declarada

6. Lakshmi Mittal – Indiano
Fortuna: US$ 31,1 bilhões
Arcelor Mittal
Religião / crença: Hinduísmo

7. Amancio Ortega – Espanhol
Fortuna: US$ 31 bilhões
Inditex (Zara, Massimo Dutti, Oysho etc.)
Religião / crença: Não declarada

8. Eike Batista – Brasileiro
Fortuna: US$ 30 bilhões
EBX, MMX, OGX, LLX, MPX, Hotel Glória, Porto de Peruíbe
Religião / crença: Não declarada

9. Mukesh Ambani – Iemenita
Fortuna: US$ 27 bilhões
Reliance Industries, Dhirubhai Ambani
Religião / crença: Hinduísmo

10. Christy Walton
Fortuna: US$ 26,5 bilhões
Wal-Mart
Religião / crença: Não declarada

Fonte: Forbes e Wikipedia

sábado, 11 de junho de 2011

Um cristão é morto a cada cinco minutos

Intolerância religiosa: Um cristão é morto a cada cinco minutosDados de um sociólogo Massimo Introvigne na Conferência Internacional sobre Diálogo Inter-Religioso entre Cristãos, Judeus e Muçulmanos em Budapeste, revelou que um Cristão morre assassinado por sua fé a cada cinco minutos.
De acordo com a publicação Zenit, Introvigne indicou que 105 mil Cristãos são assassinados a cada ano por sua fé, sem considerar vítimas de guerras civis ou entre nações.
Ele fez o alerta de que se esses números não forem reconhecidos em grau de emergência, nenhuma providência será efetivamente tomada.
“Se não se gritam ao mundo estes números, se não se põe fim a este massacre, se não se reconhece que a perseguição dos Cristãos é a primeira emergência mundial em matéria de violência e discriminação religiosa, o diálogo entre as religiões produzirá somente encontros muito bonitos, mas nenhum resultado concreto,” disse o especialista.
Aly Mahmoud, um diplomata egípcio, informou que no seu país poderá haver leis que protejam as minorias cristãs, considerando como delito os discursos que incitam o ódio e vetando reuniões hostis no exterior das Igrejas.
Um dos presentes na Conferência, o cardeal Peter Erdo, disse que o perigo é que muitas comunidades cristãs no Oriente Médio morrem devido à emigração, à medida que os Cristãos se sentem ameçados e escapam.
“Que a Europa se prepare para uma onda de imigração, desta vez de Cristãos que fogem das perseguições,” alertou Erdo.
Pelo menos um milhão de Cristãos vítimas de perseguição no mundo são crianças, informou o ministro de Assuntos Exteriores da Igreja Ortodoxa Russa.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Triunfalismo versus Martírio

Igreja triunfalista não é o mesmo que Igreja triunfante

Poucas coisas são tão nocivas à Igreja de Jesus quanto um conceito errôneo de triunfo. A Bíblia é clara quando diz que somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou (Rm 8.37). Paulo agradece a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo (II Co 2.14). Em Apocalipse, Jesus finaliza cada uma das sete cartas às igrejas da Ásia com a expressão “ao vencedor” ou “ao que vencer” (Ap 2.7,11,17, 26 e 3:5,12,21), demonstrando que Deus planejou vitória para o Seu povo. O problema, portanto, não é se o crente é um vencedor ou não, mas o que significa ser vencedor.
Por causa da influência da filosofia capitalista reinante no Ocidente, a maioria das pessoas entende vitória como conquistar empregos com altos salários, comprar carros importados de primeira linha, acumular propriedades e bens os mais supérfluos. Muitos também pensam que ser vitorioso é desfrutar de saúde inabalável, reputação invejável, alta posição social, liderança no ambiente secular ou eclesiástico, etc. O conceito de vitória dos triunfalistas - obcecados pelo sucesso - não admite, sob hipótese alguma, o sofrimento. Todavia, não é este o conceito que a Bíblia apresenta de triunfo.Biblicamente o triunfo de um crente pode não apenas incluir sofrimento, como se manifestar em sua melhor forma por meio dele. Isso é o que mostra a galeria dos heróis da fé - heróis que silenciosamente expõem a insensatez de muitos que nem de longe parecem discípulos de Jesus. Os triunfalistas gostam muito da primeira parte de Hebreus 11, porque até o versículo 35 os heróis apresentados tiveram o que o homem natural e o crente carnal consideram um final feliz. Mas, ao lermos os versículos 36 em diante, encontramos situações que não se encaixam no triunfalismo daqueles que pensam que nunca experimentarão qualquer tipo de sofrimento, porque são mais que vencedores.
Os heróis citados nesta parte do texto “passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.” (Hb 11.36-38). Esse é o tipo de passagem que um pregador triunfalista jamais pregaria. Mas o triunfo, como Deus o vê, não é ter “Biblicamente o triunfo de um crente pode não apenas incluir o sofrimento, como se manifestar em sua melhor forma por meio dele” conta na Suíça ou coisa assim. Para Deus, triunfante é o homem que é fiel e perseverante até a morte. A estes Deus chama “homens dos quais o mundo não era digno”. Muitos gostam de evocar Fp 4.13 -“tudo posso naquele que me fortalece” - para dizer que vão levar sempre a melhor em todas as transações no mundo - dos negócios ao prazer. O que a maioria não percebe é que a frase deste versículo é continuação do seguinte parágrafo: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp 4.12,13). O que Paulo quer dizer é que riqueza ou pobreza para ele não fazem a mínima diferença. O que conta é o poder que vem de Deus para suportar todas as dificuldades e não se iludir com as facilidades quando chegarem. Não é uma garantia de que tudo o que eu faço vai dar certo, não importa o que aconteça. Esta discrepância entre triunfo e triunfalismo é a base de muitos outros desvios doutrinários, resultando principalmente na Teologia da Prosperidade e na teologia desvirtuada e, cada vez mais popular, de Batalha Espiritual que exorciza demônio até de TV pifada. Mas, o legítimo vencedor descansa na mesma certeza de Paulo: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.” (Rm 14.8).

Literatura Perigosa

Há grandes vantagens em se ter acesso à literatura evangélica de qualidade. Uma delas é que se pode aprender com pessoas, às vezes, mais experientes e com maior conhecimento bíblico. Isso ajuda muito a quem deseja crescer no conhecimento da Palavra e de assuntos relacionados a ela.
Alguns bons exemplos são os dicionários bíblicos, os livros sobre arqueologia bíblica, cronologia, comentários de autores reconhecidamente comprometidos com a sã doutrina como, por exemplo, D.L. Moody e Russell Shedd. O último, ainda servindo na seara do Senhor, é diretor das Edições Vida Nova, uma editora que publica exclusivamente livros de teologia e áreas afins - todos cuidadosamente analisados antes da publicação. Assim como esta, há outras editoras muito comprometidas com a Palavra de Deus. Mesmo assim, o crente deve ser criterioso na compra de livros ditos evangélicos. Como diz Paulo Romeiro, em seu livro Evangélicos em Crise, “o  crente que entrasse numa  livraria evangélica antigamente não precisava tomar tanto cuidado. Na maioria das vezes, ele tinha à sua disposição apenas material equilibrado, refletindo, portanto, sólidos ensinamentos bíblicos. Mas essa tranqüilidade acabou. Para nossa surpresa, muitas livrarias evangélicas hoje parecem um terreno minado. O crente cuidadoso tem que entrar com muita atenção para não comprar livros prejudiciais à vida cristã (é claro que não são todas que fazem isso).”.
Saber quem é o autor, pode ser o primeiro passo para saber se um livro é bom ou ruim para a saúde espiritual do crente. Quando digo isso, os primeiros nomes que me vêm à mente como autores perigosos são Peter Wagner, Rebecca Brown, Kenneth Hagin, Benny Hinn e Neuza Itioka. Certa vez, por falta de vigilância, comprei alguns livros da Rebecca Brown e passei um deles para vários irmãos, sem ter lido todo o conteúdo. Para minha profunda tristeza, algumas pessoas ficaram fascinadas por alguns aspectos estranhos do livro e começaram a sensacionalizar tudo o que parecia mau ao seu redor. Profecias quase plagiadas do livro foram entregues a um pastor, que não hesitou em aceitá-las e ensiná-las como doutrina. Tragédia espiritual! Quando quis conversar com ele sobre isso, ele me evitou completamente. O que um simples livro desprovido de equilíbrio bíblico nas mãos de pessoas mais desprovidas ainda pode fazer! A culpa, na verdade não é tanto do autor, mas do leitor, uma vez que é responsabilidade deste e não daquele o que faz com o que leu. Só por uma questão de segurança, no caso de alguns autores, siga o conselho: Perigo de vida. Mantenha-se à distância!

http://www.cpr.org.br/ds11-5.pdf

Gnotícias