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domingo, 25 de março de 2012

A Bíblia nos promete uma vida de prazeres?

A Bíblia Nos Promete Uma Vida de Prazeres?

Quando Saulo tornou-se Paulo, uma voz divina anunciou: “Vou lhe mostrar como você poderá gozar muito melhor a sua vida!” Será que é o que realmente está escrito na Bíblia? Pelo contrário, lemos: “Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9.16). Foi o que Deus disse a Ananias acerca de Paulo. Portanto, foi quase o oposto do que muitos entendem hoje por vida cristã.

Prazer e sofrimento

O Novo Testamento está permeado pelo tom do sofrimento, e é justamente isso que não agrada à nossa velha natureza, que adora cuidar bem de sua carne e de gozar a vida. Paulo e Barnabé, por exemplo, exortaram os discípulos “a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22).
Paulo, o apóstolo dos gentios, lembra a Timóteo, seu discípulo mais fiel, que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12).
Isso não soa como uma vida de prazeres e de riqueza abundante, como tanto se apregoa hoje em dia. Temos inclusive uma carta inteira no Novo Testamento que se ocupa com o tema do sofrimento: a Primeira Epístola de Pedro. Ele explica que a fé é provada e aprovada através do sofrimento (1 Pe 1.6-7). Portanto, em completa oposição à sociedade caracterizada pelo entretenimento e ao cristianismo que confunde discipulado com diversão e festa. Aos crentes da Ásia Menor, Cristo é apresentado como exemplo naquilo que sofreu, para que sigamos os Seus passos (1 Pe 2.21).
Será que não acabamos literalmente criando um outro evangelho, um evangelho de bem-estar, que afaga o ego e o velho Adão?

Jesus e o sofrimento

A Carta aos Hebreus menciona, inclusive, que nosso Senhor, “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8). Se isso foi válido para o Filho de Deus, quanto mais vale para nós! O servo, como se sabe, não está acima de seu Mestre.
Pedro diz ainda mais: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus” (1 Pe 4.1-2).

Tema recorrente

Sofrimento e não prazer ou bênçãos materiais é o tema recorrente nas cartas dos apóstolos. Paulo chega a dizer: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29). De forma semelhante, Pedro admoesta em sua carta: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando” (1 Pe 4.12-13).
A fé é provada e aprovada através do sofrimento.
Será que isso ainda é proclamado em nossa sociedade de consumo, que já chega a “celebrar” o discipulado e a vida cristã? Será que frases tão negativas não deveriam ser sumariamente riscadas da Bíblia? Não acabamos literalmente criando um outro evangelho, um evangelho de bem-estar, que afaga o ego e o velho Adão?

Sem rodeios

Aos coríntios, que igualmente estavam em perigo de exercer poder e “domínio”, Paulo escreve sem rodeios: “Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco. Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (1 Co 4.8-13).
Isso soa como prazer, sucesso, conforto e prosperidade? É quase o oposto de tudo aquilo que hoje nos é apresentado simuladamente pelos “evangelistas da prosperidade” como se fosse o Evangelho de Cristo.

Negativo e derrotista?

Para que minhas palavras não sejam interpretadas como uma defesa do sofrimento e uma declaração de derrotismo cristão, devo mencionar que Deus deseja que “vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Tm 2.2). Na mesma Carta a Timóteo está escrito: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (1 Tm 6.17).
O Senhor nos promete, sim, uma vida abundante (Jo 10.10), porque para os cristãos as questões primárias da culpa e do sentido da vida já estão resolvidas.
Somos gratos por toda a paz e pelo bem-estar que a graça de Deus tem nos concedido no mundo ocidental por um tempo admiravelmente longo. Mas fazer dessa realidade um evangelho é, brandamente falando, contradizer o espírito do Novo Testamento. O Senhor nos promete, sim, uma vida abundante (Jo 10.10), porque para os cristãos as questões primárias da culpa e do sentido da vida já estão resolvidas. Em obediência a Deus, o discípulo de Jesus pode ter, sim, muita alegria, alegria plena (1 Jo 1.4). Mas essa alegria é em primeiro lugar espiritual e não está, necessariamente, refletida no nível material.

Movido pela alegria

Quando Paulo ditou sua carta “movida pela alegria” aos filipenses exortando os crentes a “alegrar-se sempre” (Fp 4.4), ele próprio encontrava-se algemado na prisão.

Discutindo com os super-apóstolos

Em suas discussões com pregadores “poderosos” e triunfalistas, que Paulo chama ironicamente de “sábios”, “fortes”, “nobres” (1 Co 4.10), ele se gloria de sua própria fraqueza (2 Co 12.9), especialmente porque esses falsos mestres se vangloriavam de seu grande poder e de sua própria autoridade. Eles também passavam a idéia de que apenas através deles o mundo daquela época fora alcançado com um evangelho “poderoso” e “pleno” (2 Co 10.12-16). Paulo contrapõe a esses falsos apóstolos e obreiros fraudulentos, como também os chama, a extensa lista de seus próprios sofrimentos (2 Co 11.22-23), provando que ele era um apóstolo legítimo.
Isso ainda é pregado atualmente? Isso ainda é proclamado nos programas cristãos de televisão? Os apóstolos residiam em belas casas e lá ditavam suas cartas? A visão mais profunda dos mistérios do tempo da graça é fornecida por Paulo nas cartas aos efésios e aos colossenses, que ele escreveu quando se encontrava encarcerado. Em seu discurso de despedida em Mileto ele disse: “o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações” (At 20.23). Isso não soa como a expectativa por eventos especialmente prazerosos.

Vida de prazeres?

Humildade, lágrimas, provações, ciladas, cadeias e tribulações, de fato, uma vida “de prazeres”! Mesmo quando Paulo suplicou por uma vida física mais ou menos normal, sem o espinho na carne, seu pedido não foi atendido. Será que ele não deveria ter enfrentado essa limitação física com visualização ou pensamento positivo? Esse homem de Deus podia dizer de si mesmo: “...pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Co 6.10). Devemos temer, com justiça, que muitos dos pregadores de sucesso de nossos dias literalmente invertem a ordem das coisas: “ricos, mas empobrecendo a muitos”.
Todo esse evangelho da prosperidade e do bem-estar é um cumprimento de 2 Timóteo 4.3, onde está escrito que os homens dos últimos dias cortejarão mestres por cujas palavras sentem coceira nos ouvidos, mestres que os agradem. Muitos gostariam de ouvir que Deus quer nos fazer grandes, ricos, saudáveis e poderosos. Essa era a mensagem dos amigos de Jó, que não conseguiam entender que Jó enfrentava tanto sofrimento por se encontrar dentro da vontade de Deus.
Paulo explicou: que os “crentes” dos últimos dias não apenas serão “amantes de si mesmos” (2 Tm 3.2, Ed. Revista e Corrigida) mas “mais amigos dos prazeres (tradução literal da palavra grega “philedonos”) que amigos de Deus” (2 Tm 3.4).

Uma geração hedonista

Esta é a mensagem para uma geração hedonista, como Paulo explicou: que os “crentes” dos últimos dias não apenas serão “amantes de si mesmos” (2 Tm 3.2, Ed. Revista e Corrigida) mas “mais amigos dos prazeres (tradução literal da palavra grega “philedonos”) que amigos de Deus” (2 Tm 3.4).
Será que Jesus também ofereceu uma falsa fé? Ele disse à igreja de Esmirna: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o Diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

O oposto do triunfalismo

Isso é totalmente oposto ao atual triunfalismo do evangelho da prosperidade. É monstruoso o que é tolerado e propagado na cristandade contemporânea. Esta geração ocidental literalmente criou um evangelho resumido e derivado de seu hedonismo, de sua amoldagem ao espírito da época, de sua loucura por saúde, bem-estar e entretenimento, de seu desejo por prazeres carnais e de sua auto-estima.

Pobre, miserável, cego e nu

Talvez a melhor caracterização da situação espiritual desses pregadores e adeptos do evangelho da prosperidade e do bem-estar seja a declaração de Jesus Cristo a uma igreja próspera e abastada, mal acostumada ao sucesso, a igreja de Laodicéia: “pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3.17). (Alexander Seibel - http://www.chamada.com.br)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, novembro de 2010.

Revista mensal que trata de vida cristã, defesa da fé, profecias, acontecimentos mundiais e muito mais. Veja como a Bíblia descreveu no passado o mundo em que vivemos hoje, e o de amanhã também. Assine aqui »

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

As 5 expressões evangélicas mais sem sentido usadas nas Igrejas

5 – EXORTAR
Essa expressão é usada de modo equivocado em 100% das Igrejas. Segundo qualquer dicionário, exortar significa “animar, incentivar, estimular”. Logo, exortar o irmão que está em pecado na verdade não significa repreende-lo. Quem está vivendo no erro não precisa de um incentivo, mas de um auxílio.
4 – LEVITA
Essa morreu no Antigo Testamento. Os Levitas eram descendentes da Tribo de Levi, e eram encarregados de TODO O SERVIÇO no Templo. Mas Levita tem sido usado como sinônimo de músico. Besteira pura! Pra começar a música no serviço levítico era a menor das tarefas. A faxina, organização e carregar peso nas costas, isso sim era a parte mais importante do trabalho. Levando em conta que não somos judeus, não somos descendentes daquela tribo e também lembrando que o Templo não existe mais, então estamos dispensados do serviço levítico. Músico é músico. Ponto.
3 – PROFETA
Segundo a bíblia, profeta é aquele que revela a vontade de Deus ao povo. Simples assim. Porém tornou-se comum considerar que profeta é uma espécie de adivinho. Heresia pura! Considerando que TODA A REVELAÇÃO está em Cristo Jesus e que o conhecimento acerca desta revelação está contida nas escrituras, um profeta legítimo não deve adivinhar nada, mas proclamar de maneira compreensível as coisas que estão contidas na palavra de Deus. Por isso Paulo afirma que o dom de profetizar é o dom mais excelente. E se você ainda paga pau pra adivinhos, lembre-se que ADIVINHAÇÃO é pecado.

2 – UNÇÃO
Como dizem por aí, UNS SÃO, outros NÃO SÃO. Agora falando sério… a expressão unção virou clichê na boca de crente. É unção disso, unção daquilo… tudo sempre buscando atender ao interesse economico; ou garantindo o controle das massas sob o pretexto de que UNÇÃO É PODER. Pra começar no Novo Testamento a palavra unção só é usada no sentido de afirmar que Cristo está em nós. Logo, ter unção é ter Cristo. Em todos os outros contextos, há ensinos explícitos sobre o ato de “ungir” pessoas, que seria orar com óleo, pedindo a Deus por curas específicas. Há algum poder neste óleo? Não mesmo. Mas é bom lembrar que no contexto bíblico, óleo também era considerado remédio para muitas doenças.
1 – ATO PROFÉTICO
Essa é a campeã da lista de heresias. Se sua igreja usa essa expressão, então a teologia por aí tem sido profundamente contaminada com valores neopentecostais. Pra começar não existe a expressão “ato profético” na Bíblia. Essa expressão surgiu na verdade como uma tentativa de disfarçar o conceito de podemos fazer coisas que “movem a mão de Deus” na direção de nossos desejos. Ou seja, heresia pura.

Meu conselho é… cuidado com as expressões.
Por que as mínimas coisas podem revelar grandes besteiras.
Vão com Deus!

Ops! Como alguém poderia ir “sem Deus”, se Deus é onipresente e está em todos lugares mesmo antes de eu pensar em me mover?

Fonte: Ariovaldo Jr.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mulher processa igreja evangélica depois de ser “vítima do Espírito Santo”

Visitante pede 50 mil dólares de indenização e acusa igreja de ser negligente

Cheryl Jones é moradora da cidade de Saint Louis, Michigan, e foi visitar a igreja Disciples Christian Fellowship no mês passado. Em determinado momento do culto, uma senhora “recebeu” o Espírito Santo e caiu para trás, causando-lhe ferimentos.
Jones resolveu fazer uma denúncia formal, mencionado que não havia ninguém da igreja para aparar ou ajudar a senhora que perdeu o controle ao ser tomada pelo Espírito. Ela culpa a igreja por não conseguir protegê-la.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Ressuscita-me" é o mais novo mantra gospel


Antognoni Misael
A indústria da música trabalha dentro de um padrão. Isso ocorreu em seu formato moderno quando nos Estados Unidos essa indústria conseguiu se apropriar da cultura folclórica e adaptá-la a produtos de caráter lúdico através dos show’s business. O jazz, vertente híbrida de canções de trabalho, blues, gospel, foi talvez o primeiro segmento da música norte-americana a experimentar as exigências seriais desse mercado.
Mas foi quando a própria música pop se auto-formulou que se tornaram pré-requisitos: o tempo da canção, as partes A,B (e/ou C), quantidades de compasso, interlúdio, etc. Isso dura até hoje. Grosso modo, para um veículo midiático “aprovar” o que chamamos de música comercial é necessário que esses elementos estejam bem definidos, equilibrados e se possível com uma forte dose etílica sonora, ou seja, que iluda, impregne, encharque – música boa seria então aquela que você escuta a primeira vez e já sai cantando (#mantra).
Não sou contra os padrões pop, até porque considero uma arte o compositor saber se moldar de forma bela a uma fôrma sonora – isso não é pra poucos! Tenho vários CD’s de música pop, admiro largamente vários artistas e grupos desse gênero, mas... venhamos e convenhamos, não suporto abusos nem gato-com-lebre! Outra coisa: aos fãs, ou ouvintes feitos de vidro, que se quebram com qualquer grão de areia: me poupem! Aqui não estou avaliando a sinceridade ou significado pessoal da canção quanto ao receptor -  quem ouve entende como quer, consome ao seu gosto, ressignifica dentro das suas subjetividades.
Lembro-me quando o cantor André Valadão lançou no mercado gospel sua canção Milagre. Um hit que unia uma melodia circular + subjetivismo teológico + milagre imediatista: “Hoje o meu milagre vai chegar. Eu vou crer, não vou duvidar. O preço que foi pago ali na cruz me dá vitória nesta hora”  - Não se sabe afinal se ele quer tratar do milagre da salvação; na verdade ele diz que vive “as promessas dos milagres”, logo são coisas, fatos, presentes, continuidades. Entendo como uma canção bem antropocêntrica que está pronta para que o receptor peça, e meio que, como uma confissão positiva, diga: Hoje o meu milagre vai chegar! Este hit foi um sucesso!
Em seguida, outro mais forte que esse se espalhou pelo Brasil, que tocou milhares de vezes em igrejas e até em pagodes e show’s de forró foi: “Faz um milagre em mim” (Regis Danese). Essa canção que estourou nas paradas do sucesso e na minha paciência também, foi uma $acada incrível do compositor (e dono da música). Regis conseguiu misturar uma melodia “peguenta” + confusão teológica + ideia de milagre – foi a primeira interpretação que ouvi alguém dizer que Zaqueu conseguiu chamar a atenção de Deus... Enfim,este som realmente deu certo!
Contudo quando agente pensa que o ciclo de milagres musicais tem se findado, somos surpreendidos! A criatividade dos caras é boa e a indústria consegue fazer mutações espantosas ao oferecer o mesmo produto, só que com nova maquiagem e roupagem, e novamente e$tourar nas paradas do sucesso!!
Dessa vez, a mesma fonte dos tais milagre se reinventou em Ressuscita-me (Aline Barros) - a mesma mistura de melodia “peguenta” +  confusão teológica +  ideia de milagre funcionou: “Mestre eu preciso de um milagre...”. A ressalva é que diferentemente, nesta canção, a mídia bombardeou teleguiados potentes por todos os cantos do Brasil (a Som Livre se apropriou dos “talentos” gospel ao que parece notou que Je$u$ é bom). Gente, perdoe-me a ignorância, eu não aguento mais escutar essa música! (saudades de “Faz chover” (risos))
Sinceramente algumas coisas nela eu não entendi, se possível me esclareçam. A música é para uma pessoa que nasceu de novo? Se for, acho totalmente inviável pedir que Deus ressuscite “os meus Sonhos” – prefiro aceitar que as coisas velhas não me interessam, pois tudo se fez novo. Outra coisa. Fazer analogia com Lázaro e sonhos mortos é algo bem sugênesis, pois quando canto “remove a minha pedra”, tenho por inferência a certeza de que defunto não tem querer, não pede, não clama. Agora se a música é para alguém que não nasceu de novo, a situação fica difícil, visto que não sou arminiano.
A parte mais legal disso tudo é notar que aqueles que cantaram e ‘adoraram’ com “Hoje o meu milagre vai chegar”, continuaram a pedir “Faz um Milagre em mim” e certamente devem estar dizendo “Ressuscita-me agora”.
Antognoni Misael escreve para o ARTE DE CHOCAR
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Comentários do autor deste blog:

Realmente, a forma absurda com que verdades bíblicas tem sido tratadas pelos hits gospel da atualidade assusta. É tanto besteirol misturado a um festival de heresias, que deixa qualquer pessoa que já leu a Bíblia e entendeu o que estava lendo de queixo caído...
 
Vejo pelo menos (sendo bonzinho e respeitando a licença poética) três coisas que o autor desta música deveria responder:

1- Se Lázaro estava morto, como ele clamou ao Mestre por um milagre? "Mestre eu preciso de um milagre"
2- Se a Bíblia diz que Jesus ordenou que tirassem a pedra, porque a canção faz alusão a um pedido de Lázaro para que Jesus tirasse a pedra?
3 - Se Jesus ordenou que tirassem a pedra (ação humana) para que ele ressuscitasse a Lázaro (ação divina), porque o hit diz: "Lázaro ouviu a sua voz, quando aquela pedra removeu..." Ora, quem é o sujeito oculto na oração que removeu a pedra?

Pensar um pouco não faz mal a ninguém. Aliás, como já disse e cantou João Alexandre, a cada dia fico mais convencido de que em alguns arraiais gospel é proibido pensar....

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Mudanças, modismos e mantras na adoração brasileira


Nelson Bomilcar
 
Não é possível ignorar os processos de mudanças no louvor e adoração nos cultos públicos da igreja brasileira nestes últimos anos. Muitos pontos positivos como maior participação congregacional, maior devoção, centralidade de Jesus, maior interesse em se estudar sobre o assunto, proliferação de encontros e congressos sobre o tema, contrastam com os modismos e modelos que aportam em nosso país levando os irmãos à uma adoração alienada da realidade da vida, da mente, da razão, com forte apelo emocional, e muito antropocêntrica.

Afinal, tudo está relacionada à “imagem” do ministro, do artista, da “unção ou carisma” que parece ter, do sucesso que ele tem, do recorde de vendagem de seus produtos, etc. Pouca relação com a integridade pessoal de uma vida reta, séria e coerente diante do Pai. Ouvi de uma diretora de gravadora que o que importa é a imagem, o que se vende através de uma boa mídia, já que o povo evangélico tá nem aí para o resto. Não importa a vida dos ministros ou artistas!

Surpreende-me ver líderes na igreja, tanto pastores como ministros de louvor, abraçarem estes modelos que chegam em nosso país, como sendo “inspirados” e “vindo diretamente do céu”, sem uma avaliação criteriosa de uma exegese bíblica, espírito humilde e de temor em oração, para discernir com sabedoria se o que tem sido ensinado, enfatizado e ministrado em cursos, CDs e DVDs são de fato verdade e que trazem edificação ao corpo!

É igualmente verdade que pastores e líderes maduros de louvor também estão sensíveis ao mover do Espírito Santo em outras nações e não desprezam de saída os “novos ventos”. Mas, daí a dizer que o que acontece lá tem que acontecer aqui, é manipulação e tentação de uma geração “coca-cola”, que adora fórmula pronta e novidades. Desculpem, se conhecessem o guaraná ou o cajá.....

Mas não podemos esquecer que Deus é criativo e age diferente em diversos lugares, respeitando as pessoas, suas histórias, suas culturas. Deus não está a serviço de uma tendência de globalização, de o que é bom na Austrália, Reino Unido e Toronto é bom para o sertão brasileiro, para a América Latina e para a igreja no Quênia. Que os missiólogos digam amém!

Muitos destes modelos já tem de saída, no mínimo, motivações dúbias, ainda mais quando aportam em nosso país com suas estruturas empresariais logo após seus congressos e encontros, para “venderem” seus produtos e artistas para nós. Nós que, além de “ministério”, somos também seus mercados e clientes em potencial. E quando se mistura ministério e negócios, como vemos na história da igreja, o resultado é quase sempre catastrófico para a igreja e para o reino de Deus.

Frases como “Deus me falou, me revelou, me disse” que o louvor é assim ou assado, não são suficientes para líderes servos, prudentes e experimentados, que precisam avaliar tudo e todo o vento de doutrina ou experiências pessoais de outros. Estamos inclusive numa fase no Brasil e no mundo de ouvirmos sobre “institutos de adoração”, faculdades, que querem ensinar o povo a adorar de verdade e sedimentar estes modelos.

Muitas delas, superpondo e seqüestrando o objetivo da missão que é da igreja local, da comunidade dos santos de formar discípulos e adoradores, da jornada peregrina de construir relacionamentos profundos com Deus, com o irmão, na família e com o próximo. Adoração que não é apenas contemplativa ou alienada, mas encarnada, numa espiritualidade realmente cristã presente em todas as dimensões na vida.

Muitos já confusos em seu conceito de adoração, pois adoração é um estilo de vida e não “um jeito X ou Y de fazer, de ministrar na frente, de uma coreografia ou ênfase nova, de ritos externos, de ficar repetindo o que o dirigente quer lá da frente à guiza de louvor profético, como se fôssemos seres sem cérebro, irracionais. Adoração não depende de usar shofar ou trombone, de alegorismos ou metáforas novas, de retorno ao louvor hebraico, de olhar para o público ou dar as costas a ele”, dos mantras musicais atuais de ficar cantando a mesma música durante 50 minutos levando o povo a uma catarse emocional e proporcionando aos músicos e cantores uma inércia e inutilidade criativa.

Os ritos e esforços externos definitivamente não enganam a Deus, que olha e sonda onde não vemos com Seu Espírito, isto é, a motivação, integridade e verdade do coração. Por mais esforços que o homem faça para adorar, ele não legitima adoração diante do Senhor, não garante que Deus aceitará qualquer tentativa nossa de louvar e adorar.

Segundo Hebreus 13:15, é por meio de Jesus que devemos oferecer sacrifícios de louvor. Somente a mediação de Jesus legitíma nossa adoração, somente o fato de Jesus ter descido da glória, habitado entre nós e ter ido até a cruz se entregando como adoração e louvor perfeito, torna nosso louvor aceito pelo Pai. Nada que o homem fizer em seu esforço pessoal, pode fazer a adoração chegar ao coração de Deus. A não ser reconhecer sua própria inutilidade e incapacidade, num coração quebrantado e humilde, aceitando que dependemos e precisamos de Jesus para adorar a Deus. Ele se fez adoração por nós!

Se enchemos estádios, se caímos ou não no chão, se choramos ou pulamos, se vendemos 100000 cópias, se ocupamos espaço na mídia, se temos representação e distribuição em muitos países, nada disso é garantia de que Deus aceita ou mesmo está neste processo. Não são modelos que abraçamos que legitimam nossa adoração, mas a pessoa e obra de Jesus Cristo, nosso Senhor!

Que Deus nos ajude e nos guarde de erros e desvios! Paz seja com todos! 
 
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Nelson Bomilcar é conhecido no Brasil como músico, pastor, missionário, compositor, produtor, conferencista e escritor. É casado com Carla e pai de Karen e Nathan. Há 36 anos exerce seu ministério no Brasil e tem suas canções, parcerias, produções e arranjos presentes em inúmeros trabalhos da música cristã nacional.

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