Mostrando postagens com marcador louvor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador louvor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Ressuscita-me" é o mais novo mantra gospel


Antognoni Misael
A indústria da música trabalha dentro de um padrão. Isso ocorreu em seu formato moderno quando nos Estados Unidos essa indústria conseguiu se apropriar da cultura folclórica e adaptá-la a produtos de caráter lúdico através dos show’s business. O jazz, vertente híbrida de canções de trabalho, blues, gospel, foi talvez o primeiro segmento da música norte-americana a experimentar as exigências seriais desse mercado.
Mas foi quando a própria música pop se auto-formulou que se tornaram pré-requisitos: o tempo da canção, as partes A,B (e/ou C), quantidades de compasso, interlúdio, etc. Isso dura até hoje. Grosso modo, para um veículo midiático “aprovar” o que chamamos de música comercial é necessário que esses elementos estejam bem definidos, equilibrados e se possível com uma forte dose etílica sonora, ou seja, que iluda, impregne, encharque – música boa seria então aquela que você escuta a primeira vez e já sai cantando (#mantra).
Não sou contra os padrões pop, até porque considero uma arte o compositor saber se moldar de forma bela a uma fôrma sonora – isso não é pra poucos! Tenho vários CD’s de música pop, admiro largamente vários artistas e grupos desse gênero, mas... venhamos e convenhamos, não suporto abusos nem gato-com-lebre! Outra coisa: aos fãs, ou ouvintes feitos de vidro, que se quebram com qualquer grão de areia: me poupem! Aqui não estou avaliando a sinceridade ou significado pessoal da canção quanto ao receptor -  quem ouve entende como quer, consome ao seu gosto, ressignifica dentro das suas subjetividades.
Lembro-me quando o cantor André Valadão lançou no mercado gospel sua canção Milagre. Um hit que unia uma melodia circular + subjetivismo teológico + milagre imediatista: “Hoje o meu milagre vai chegar. Eu vou crer, não vou duvidar. O preço que foi pago ali na cruz me dá vitória nesta hora”  - Não se sabe afinal se ele quer tratar do milagre da salvação; na verdade ele diz que vive “as promessas dos milagres”, logo são coisas, fatos, presentes, continuidades. Entendo como uma canção bem antropocêntrica que está pronta para que o receptor peça, e meio que, como uma confissão positiva, diga: Hoje o meu milagre vai chegar! Este hit foi um sucesso!
Em seguida, outro mais forte que esse se espalhou pelo Brasil, que tocou milhares de vezes em igrejas e até em pagodes e show’s de forró foi: “Faz um milagre em mim” (Regis Danese). Essa canção que estourou nas paradas do sucesso e na minha paciência também, foi uma $acada incrível do compositor (e dono da música). Regis conseguiu misturar uma melodia “peguenta” + confusão teológica + ideia de milagre – foi a primeira interpretação que ouvi alguém dizer que Zaqueu conseguiu chamar a atenção de Deus... Enfim,este som realmente deu certo!
Contudo quando agente pensa que o ciclo de milagres musicais tem se findado, somos surpreendidos! A criatividade dos caras é boa e a indústria consegue fazer mutações espantosas ao oferecer o mesmo produto, só que com nova maquiagem e roupagem, e novamente e$tourar nas paradas do sucesso!!
Dessa vez, a mesma fonte dos tais milagre se reinventou em Ressuscita-me (Aline Barros) - a mesma mistura de melodia “peguenta” +  confusão teológica +  ideia de milagre funcionou: “Mestre eu preciso de um milagre...”. A ressalva é que diferentemente, nesta canção, a mídia bombardeou teleguiados potentes por todos os cantos do Brasil (a Som Livre se apropriou dos “talentos” gospel ao que parece notou que Je$u$ é bom). Gente, perdoe-me a ignorância, eu não aguento mais escutar essa música! (saudades de “Faz chover” (risos))
Sinceramente algumas coisas nela eu não entendi, se possível me esclareçam. A música é para uma pessoa que nasceu de novo? Se for, acho totalmente inviável pedir que Deus ressuscite “os meus Sonhos” – prefiro aceitar que as coisas velhas não me interessam, pois tudo se fez novo. Outra coisa. Fazer analogia com Lázaro e sonhos mortos é algo bem sugênesis, pois quando canto “remove a minha pedra”, tenho por inferência a certeza de que defunto não tem querer, não pede, não clama. Agora se a música é para alguém que não nasceu de novo, a situação fica difícil, visto que não sou arminiano.
A parte mais legal disso tudo é notar que aqueles que cantaram e ‘adoraram’ com “Hoje o meu milagre vai chegar”, continuaram a pedir “Faz um Milagre em mim” e certamente devem estar dizendo “Ressuscita-me agora”.
Antognoni Misael escreve para o ARTE DE CHOCAR
-********************************************************
Comentários do autor deste blog:

Realmente, a forma absurda com que verdades bíblicas tem sido tratadas pelos hits gospel da atualidade assusta. É tanto besteirol misturado a um festival de heresias, que deixa qualquer pessoa que já leu a Bíblia e entendeu o que estava lendo de queixo caído...
 
Vejo pelo menos (sendo bonzinho e respeitando a licença poética) três coisas que o autor desta música deveria responder:

1- Se Lázaro estava morto, como ele clamou ao Mestre por um milagre? "Mestre eu preciso de um milagre"
2- Se a Bíblia diz que Jesus ordenou que tirassem a pedra, porque a canção faz alusão a um pedido de Lázaro para que Jesus tirasse a pedra?
3 - Se Jesus ordenou que tirassem a pedra (ação humana) para que ele ressuscitasse a Lázaro (ação divina), porque o hit diz: "Lázaro ouviu a sua voz, quando aquela pedra removeu..." Ora, quem é o sujeito oculto na oração que removeu a pedra?

Pensar um pouco não faz mal a ninguém. Aliás, como já disse e cantou João Alexandre, a cada dia fico mais convencido de que em alguns arraiais gospel é proibido pensar....

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Mudanças, modismos e mantras na adoração brasileira


Nelson Bomilcar
 
Não é possível ignorar os processos de mudanças no louvor e adoração nos cultos públicos da igreja brasileira nestes últimos anos. Muitos pontos positivos como maior participação congregacional, maior devoção, centralidade de Jesus, maior interesse em se estudar sobre o assunto, proliferação de encontros e congressos sobre o tema, contrastam com os modismos e modelos que aportam em nosso país levando os irmãos à uma adoração alienada da realidade da vida, da mente, da razão, com forte apelo emocional, e muito antropocêntrica.

Afinal, tudo está relacionada à “imagem” do ministro, do artista, da “unção ou carisma” que parece ter, do sucesso que ele tem, do recorde de vendagem de seus produtos, etc. Pouca relação com a integridade pessoal de uma vida reta, séria e coerente diante do Pai. Ouvi de uma diretora de gravadora que o que importa é a imagem, o que se vende através de uma boa mídia, já que o povo evangélico tá nem aí para o resto. Não importa a vida dos ministros ou artistas!

Surpreende-me ver líderes na igreja, tanto pastores como ministros de louvor, abraçarem estes modelos que chegam em nosso país, como sendo “inspirados” e “vindo diretamente do céu”, sem uma avaliação criteriosa de uma exegese bíblica, espírito humilde e de temor em oração, para discernir com sabedoria se o que tem sido ensinado, enfatizado e ministrado em cursos, CDs e DVDs são de fato verdade e que trazem edificação ao corpo!

É igualmente verdade que pastores e líderes maduros de louvor também estão sensíveis ao mover do Espírito Santo em outras nações e não desprezam de saída os “novos ventos”. Mas, daí a dizer que o que acontece lá tem que acontecer aqui, é manipulação e tentação de uma geração “coca-cola”, que adora fórmula pronta e novidades. Desculpem, se conhecessem o guaraná ou o cajá.....

Mas não podemos esquecer que Deus é criativo e age diferente em diversos lugares, respeitando as pessoas, suas histórias, suas culturas. Deus não está a serviço de uma tendência de globalização, de o que é bom na Austrália, Reino Unido e Toronto é bom para o sertão brasileiro, para a América Latina e para a igreja no Quênia. Que os missiólogos digam amém!

Muitos destes modelos já tem de saída, no mínimo, motivações dúbias, ainda mais quando aportam em nosso país com suas estruturas empresariais logo após seus congressos e encontros, para “venderem” seus produtos e artistas para nós. Nós que, além de “ministério”, somos também seus mercados e clientes em potencial. E quando se mistura ministério e negócios, como vemos na história da igreja, o resultado é quase sempre catastrófico para a igreja e para o reino de Deus.

Frases como “Deus me falou, me revelou, me disse” que o louvor é assim ou assado, não são suficientes para líderes servos, prudentes e experimentados, que precisam avaliar tudo e todo o vento de doutrina ou experiências pessoais de outros. Estamos inclusive numa fase no Brasil e no mundo de ouvirmos sobre “institutos de adoração”, faculdades, que querem ensinar o povo a adorar de verdade e sedimentar estes modelos.

Muitas delas, superpondo e seqüestrando o objetivo da missão que é da igreja local, da comunidade dos santos de formar discípulos e adoradores, da jornada peregrina de construir relacionamentos profundos com Deus, com o irmão, na família e com o próximo. Adoração que não é apenas contemplativa ou alienada, mas encarnada, numa espiritualidade realmente cristã presente em todas as dimensões na vida.

Muitos já confusos em seu conceito de adoração, pois adoração é um estilo de vida e não “um jeito X ou Y de fazer, de ministrar na frente, de uma coreografia ou ênfase nova, de ritos externos, de ficar repetindo o que o dirigente quer lá da frente à guiza de louvor profético, como se fôssemos seres sem cérebro, irracionais. Adoração não depende de usar shofar ou trombone, de alegorismos ou metáforas novas, de retorno ao louvor hebraico, de olhar para o público ou dar as costas a ele”, dos mantras musicais atuais de ficar cantando a mesma música durante 50 minutos levando o povo a uma catarse emocional e proporcionando aos músicos e cantores uma inércia e inutilidade criativa.

Os ritos e esforços externos definitivamente não enganam a Deus, que olha e sonda onde não vemos com Seu Espírito, isto é, a motivação, integridade e verdade do coração. Por mais esforços que o homem faça para adorar, ele não legitima adoração diante do Senhor, não garante que Deus aceitará qualquer tentativa nossa de louvar e adorar.

Segundo Hebreus 13:15, é por meio de Jesus que devemos oferecer sacrifícios de louvor. Somente a mediação de Jesus legitíma nossa adoração, somente o fato de Jesus ter descido da glória, habitado entre nós e ter ido até a cruz se entregando como adoração e louvor perfeito, torna nosso louvor aceito pelo Pai. Nada que o homem fizer em seu esforço pessoal, pode fazer a adoração chegar ao coração de Deus. A não ser reconhecer sua própria inutilidade e incapacidade, num coração quebrantado e humilde, aceitando que dependemos e precisamos de Jesus para adorar a Deus. Ele se fez adoração por nós!

Se enchemos estádios, se caímos ou não no chão, se choramos ou pulamos, se vendemos 100000 cópias, se ocupamos espaço na mídia, se temos representação e distribuição em muitos países, nada disso é garantia de que Deus aceita ou mesmo está neste processo. Não são modelos que abraçamos que legitimam nossa adoração, mas a pessoa e obra de Jesus Cristo, nosso Senhor!

Que Deus nos ajude e nos guarde de erros e desvios! Paz seja com todos! 
 
**********************************************************************************************
 
Nelson Bomilcar é conhecido no Brasil como músico, pastor, missionário, compositor, produtor, conferencista e escritor. É casado com Carla e pai de Karen e Nathan. Há 36 anos exerce seu ministério no Brasil e tem suas canções, parcerias, produções e arranjos presentes em inúmeros trabalhos da música cristã nacional.

Gnotícias