segunda-feira, 19 de setembro de 2011

É suficiente expor a Verdade?

 Mateus Nogueira

Esses dias ouvi um barulho estranho no banheiro e fui verificar. Em um breve momento de distração nossa, nosso filho de 2 anos de idade estava com a escova de dentes dele na mão escovando os dentes. Até aí, nada de anormal... O problema começou quando vi o procedimento que ele adotava para a prática de sua higiene bucal: Ele molhava a escova na água do vaso sanitário e escovava os dentes, molhava novamente e ia repetindo o procedimento, como se não estivesse fazendo nada de errado. De imediato tomei a escova das mãos dele e ensinei que aquilo não deveria ser feito.

Fiquei pensando no episódio e cheguei a uma conclusão: Crianças não são capazes de perceber a diferença entre a água tratada que sai da fonte (neste caso a torneira) e a água contaminada (apesar de límpida) que está dentro da latrina. Deste modo, não basta ensinar para os pequeninos que toda a água incolor, inodora e insípida é própria para o consumo humano. É necessário alertá-los que a água presente e distribuída em determinados locais está contaminada e não pode sequer ser tocada com as mãos, o risco de contrair doenças é enorme.

Bem, isto me chama a atenção para a enxurrada de "água de latrina" que tem varrido alguns arraiais gospel por este mundo afora. São tantas aberrações que deixariam Paulo, Pedro e João assustados. Fariam Lutero aumentar o número de suas teses e, certamente provocariam (e provocarão, se Deus quiser) um movimento maior que a reforma protestante ocorrida há cerca de 500 anos.

Alguns, em nome da "ética", autopreservação e da política de boa vizinhança, se recusam a denunciar (ou mesmo admitir) que muitas atitudes e moveres contemporâneos não passam de "água da privada". Afirmam que basta pregar a Verdade e todos notarão o que não faz parte dela. Abandonam-se os princípios da Palavra de Deus e os alicerces estabelecidos pelos primeiros cristãos, admitindo-se toda a sorte de anomalias doutrinárias: Cai-cai, reteté, teologia da prosperidade, triunfalismo etc... Aqueles menos avisados, não conseguem perceber a diferença entre a Água Viva (Jo 4.14) e a água contaminada que tem sido oferecida por aí e crescem (?) bebendo água da privada.

Esta conduta omissiva contraria o exemplo de Cristo e a motivação da maioria das cartas do Novo Testamento. Paulo, Pedro, João, Judas e outros, escreveram diversas epístolas destinadas a alertar os cristãos de sua época para os perigos que rondavam (e ainda rondam) a igreja. Ora, se ensinar a Verdade fosse o suficiente, Jesus não exporia os erros e deturpações doutrinárias dos fariseus, saduceus, escribas (incluindo os membros do sinédrio), não expulsaria os vendilhões do templo (hoje daria trabalho, dado o grande número deles), não denunciaria a hipocrisia do sistema romano. Judas, e Pedro não denunciariam com tanta veemência os falsos mestres e falsos profetas. Tiago não exporia o estado miserável dos que confiam nas riquezas. Paulo não exporia os insubordinados, apóstatas, enganadores, falsos mestres e não daria "nome aos bois", como fez com Cefas, Himeneu, Demas, Fileto, Alexandre, Fígelo e Hermógenes. Em atitude semelhante, João não citaria Diótrefes, e suas falsas doutrinas. Lucas não narraria a atitude e recompensa de Ananias e Safira. Imagine se João Batista tivesse sido omisso? Ou ainda se contentasse em apenas ensinar a verdade e não denunciar a mentira? Do contrário, o maior dos nascidos de mulher, perdeu a sua cabeça por não apenas ensinar a verdade, mas por se opor à mentira.

Não basta mostrar aos filhos a água limpa e gelada no bebedouro, é preciso ensinar que a da latrina (apesar de ser semelhante à do bebedouro) está cheia de resquícios de fezes e urina, ainda que não consigamos enxergar sem uma análise mais apurada... 

Ou como escreveu Paulo Romeiro: "Imagine o  leitor se há um remédio sendo comercializado, trazendo perigo de morte á população. Certamente as emissoras de rádio e TV não conseguiriam prestar um serviço ao público levando ao ar o seguinte anúncio: “Informamos que há um remédio sendo vendido nas farmácias que poderá levá-lo à morte. Desde que não vamos citar o nome do remédio, tente descobrir por você mesmo”. Não seria isso um absurdo? Quando alguém descobrisse que remédio é esse, já seria tarde demais." (Romeiro, Paulo. Evangélicos em crise: São Paulo. 1995. p. 40)

A Bíblia não nos ensina a omissão, ela ensina ação! Omissão na Bíblia é sinônimo de covardia, e os covardes, bem, está escrito que não herdarão o Reino de Deus (AP 21.8 - ARA)... Em tempos de vendaval, ficar em cima do muro não é uma opção inteligente.

"E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples." Romanos 16.17-18 (ACF)

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